segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Exu na Argentina e Uruguai - parte 1

Vitrine da loja Santería Llama Sagrada, em Montevideo.
Foto de Guillermo Srodek Hart.

A influência da religiosidade africana não se restringe aos limites geográficos do Brasil na América do Sul. Não bastasse a existência de 200 terreiros de umbanda em Montevidéu, capital uruguaia, Buenos Aires já conta com mil deles.
Tais dados, apurados após investigação do antropólogo gaúcho Ari Pedro Oro, que escreveu o livro "Axé Mercosul" (1999, editora Vozes), surpreendem pelo fato de Buenos Aires ser formada por uma população majoritariamente branca. O traço étnico minoritário na capital argentina é o dos índios. Negros, não há.
"A implantação da umbanda, batuque e candomblé nessas e em outras cidades da Argentina e do Uruguai se iniciou há cerca de 30 anos", diz Oro, que é professor de antropologia do programa de pós-graduação da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul). A influência da religiosidade afro-brasileira, de acordo com o antropólogo, parte do Rio Grande do Sul.

Loja de artigos religiosos em Montevideo.
Foto de Gonzalo Mega. Disponível em:
<http://fermentario.blogspot.com.br/2012/08/mercantilizacion-de-lo-sagrado.html>

Os primeiros templos de religião africana a se instalar na Argentina foram os de Nélida (Baños) de Oxum, em 1966, e Elio (Machado) de Iemanjá, dois anos depois.
Os dois templos foram registrados no Registro Nacional de Cultos em 1970. Começaram pela umbanda e, em 1973, adotaram o "africanismo" (batuque).
Nélida e Elio são considerados precursores. Em 1979, segundo o antropólogo argentino Alejandro Frigerio, Elio de Iemanjá fundou a Confederação Espírita Umbandista.
Outras histórias contam, por exemplo, que a origem das religiões afro na Argentina está em três travestis que trabalhavam na noite de Rivera (cidade uruguaia que faz divisa com a brasileira Santana do Livramento) na década de 50.
Em Santana do Livramento os três teriam conhecido a mãe-de-santo Teta de Oxalá (Hipólita Lima), que os influenciou. O travesti Santiago Paves, a "Mara de Bará", foi para Buenos Aires e manteve uma clientela fixa.
O antropólogo Alejandro Frigerio diz que realmente "Mara" existiu e foi um dos precursores de religiões afro em Buenos Aires. É possível que a história dela não seja contada oficialmente devido ao preconceito contra o homossexualismo [sic].

Trecho de reportagem de Leo Gerchmann para o Jornal Folha de São Paulo, publicada em 9 de abril de 2000. Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mundo/ft0904200010.htm>.

Mediuns caracterizados como exus no terreiro de Pae Alberto Tata, em Buenos Aires.
Disponível em <https://www.facebook.com/paealberto.tatai/media_set?set=a.1327801650579514.1073741846.100000490756264&type=3>

Mediuns caracterizados como exus no terreiro de Pae Alberto Tata, em Buenos Aires.
Disponível em <https://www.facebook.com/paealberto.tatai/media_set?set=a.1327801650579514.1073741846.100000490756264&type=3>

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