segunda-feira, 28 de julho de 2014

Exus de Madrid: Exu del Mercado

Oferenda a Exu del Mercado.
Instalação/intervenção em espaço público.
Leopoldo Tauffenbach. Madrid, 2014.

Espanhóis são comerciantes natos. Talvez por herança dos árabes, outro povo economicamente avançado que habitou a península por quase 700 anos. Dos estabelecimentos comerciais da Espanha, destaca-se a ampla oferta de bares, restaurantes e outros pontos de comércio de comidas e bebidas, sem falar nos mercados. Dados de 2010 apontavam que havia um desses estabelecimentos para cada 400 espanhóis.
Uma das qualidades de Exu é a de protetor das relações comerciais e dos mercados. A entidade cuida das trocas, dos caminhos das mercadorias e do fluxo do dinheiro. Na cidade de Porto Alegre, todos os anos se realiza o ritual em homenagem à entidade protetora do Mercado Público, o Bará do Mercado.

Um dos mercados mais conhecidos de Madrid é o Mercado de San Miguel, situado na praça de mesmo nome, ao lado do ponto turístico mais famoso da cidade: a Plaza Mayor. Fundado no século XIX como mercado ao ar livre, hoje é o único mercado montado em estrutura de ferro remanescente. Embora tenha tido seus dias de mercado popular, é uma referência para turistas abastados em busca de versões "gourmet" de pratos e ingredientes típicos da culinária espanhola. 

Em frente a este local foi realizada a oferenda/intervenção ao Exu del Mercado. Contrapondo à exuberância e ao luxo do local, a oferenda apresenta uma certa simplicidade, pouco chamativa até. A oferenda consiste em cinco cazuelas de barro, pratos largos que servem tanto para cozinhar como para servir e que se conectam com os alguidares. Destas, quatro cazuelas comportam alimentos que fazem referência aos quatro elementos: legumes para terra, frutos do mar para água, frutas para o ar e pães para o fogo. No centro uma cazuela menor guarda dezenas de moedas, cercadas por oito reproduções de notas de 100 euros. As notas estão dispostas em fora de duas cruzes sobrepostas.

Abaixo estão imagens da intervenção. Para vê-las em tamanho ampliado, basta clicar sobre elas.

Oferenda a Exu del Mercado.
Instalação/intervenção em espaço público.
Leopoldo Tauffenbach. Madrid, 2014.

Detalhe da oferenda a Exu del Mercado.
Instalação/intervenção em espaço público.
Leopoldo Tauffenbach. Madrid, 2014.

Detalhe da oferenda a Exu del Mercado.
Instalação/intervenção em espaço público.
Leopoldo Tauffenbach. Madrid, 2014.

Detalhe da oferenda a Exu del Mercado.
Instalação/intervenção em espaço público.
Leopoldo Tauffenbach. Madrid, 2014.

Detalhe da oferenda a Exu del Mercado.
Instalação/intervenção em espaço público.
Leopoldo Tauffenbach. Madrid, 2014.

Detalhe da oferenda a Exu del Mercado.
Instalação/intervenção em espaço público.
Leopoldo Tauffenbach. Madrid, 2014.

Oferenda a Exu del Mercado.
Instalação/intervenção em espaço público.
Leopoldo Tauffenbach. Madrid, 2014.

Oferenda a Exu del Mercado.
Instalação/intervenção em espaço público.
Leopoldo Tauffenbach. Madrid, 2014.

Oferenda a Exu del Mercado.
Instalação/intervenção em espaço público.
Leopoldo Tauffenbach. Madrid, 2014.

Oferenda a Exu del Mercado.
Instalação/intervenção em espaço público.
Leopoldo Tauffenbach. Madrid, 2014.

Oferenda a Exu del Mercado.
Instalação/intervenção em espaço público.
Leopoldo Tauffenbach. Madrid, 2014.

Oferenda a Exu del Mercado.
Instalação/intervenção em espaço público.
Leopoldo Tauffenbach. Madrid, 2014.

Oferenda a Exu del Mercado.
Instalação/intervenção em espaço público.
Leopoldo Tauffenbach. Madrid, 2014.

Oferenda a Exu del Mercado.
Instalação/intervenção em espaço público.
Leopoldo Tauffenbach. Madrid, 2014.

Turistas observam intervenção em frente ao Mercado de San Miguel.
Leopoldo Tauffenbach. Madrid, 2014.

terça-feira, 8 de julho de 2014

Exu, graffiti e pichações

O graffiti é, desde as suas origens, o resultado de uma acção de subversão. Enquanto cultura, representa um conjunto de normas de acção, de valores, representações e ideologias fundados tendo por referência uma acção que é ilegal e, consequentemente, alvo de perseguição. As identidades colectivas e individuais forjadas neste território “à margem” (tempo e espaço sociais identificados como opostos à norma social dominante) incorporam a ruptura, dramatizam o estigma, capitalizam o desvio na elaboração de narrativas individuais e desígnios colectivos.
[...]
O graffiti vive da visualidade, resulta de uma acção individual e colectiva que usa os suportes visuais e uma determinada linguagem para comunicar e construir sentido, para estabelecer lugares sociais e hierarquias simbólicas.
Aqueles que se dedicam ao graffiti trabalham na obscuridade, numa labuta persistente que serve de legitimação à pertença a este universo. A existência (ou seja, o reconhecimento da existência do indivíduo pelos seus pares) alcança­‑se pela acção, pela prática primordial que origina todo um modelo cultural significativo para os agentes.
Neste contexto, o território e a visualidade assumem­‑se como dimensões a explorar de forma estratégica na construção das identidades e do estatuto dos actores. Usar a cidade, conhecer e utilizar o espaço edificado resulta num processo de apropriação e dominação territorial que se encontra no cerne de muitas culturas juvenis urbanas (Magnani 2002, 2005; Pais 2005). No graffiti é fundamental sinalizar a cidade, demarcá­‑la com siglas que possam ser vislumbradas. 

Trechos do artigo Entre as luzes e as sombras da cidade: visibilidade e invisibilidade no graffiti, de Ricardo Campos.  Disponível em <http://www.scielo.gpeari.mctes.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0873-65612009000100009&lng=pt&nrm=iso>.

Imagem encontrada na rede social Facebook.
Local, autoria e data desconhecidas.

Pichação em dependências da Universidade Estadual do Ceará.
Fonte: https://www.facebook.com/photo.php?fbid=658387067576435&set=a.496214830460327.1073741826.291893304225815&type=1&theater

Pichação sobre placa em Sorocaba.
Fonte: http://noticias.gospelmais.com.br/totem-consagra-cidade-jesus-pichado-exu-59583.html

Pichação em muro da cidade de Recife.
Foto de André Dib.

Graffiti sob o Minhocão, São Paulo.
Fonte: http://www.minhocao.com/2011/10/grafite-no-minhocao-ze-pilintra.html

Pichação em escultura "Exu dos Ventos", de Mário Cravo Neto, Rio de Janeiro.
Fonte: http://www.orkut.com/Main#CommMsgs?cmm=92503&tid=5611617635448852670

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Pichação em escultura "Exu dos Ventos", de Mário Cravo Neto. Rio de Janeiro.
Fonte: http://www.orkut.com/Main#CommMsgs?cmm=92503&tid=5611617635448852670
Pichação em bar em São Paulo.
Foto de Luciana dos Anjos.
Graffiti sob o Viaduto Antártica, São Paulo.
Foto de Leopoldo Tauffenbach.