segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Exu e o Ano Novo


O projeto Recostruindo Exu deseja a todos os seus leitores, colaboradores e apoiadores um excelente 2014, com todas as proteções de Exu!

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Negação de Exu

O neopentecostalismo, em conseqüência da crença de que é preciso eliminar a presença e a ação do demônio no mundo, tem como característica classificar as outras denominações religiosas como pouco engajadas nessa batalha, ou até mesmo como espaços privilegiados da ação dos demônios, os quais se "disfarçariam" em divindades cultuadas nesses sistemas. É o caso, sobretudo, das religiões afro-brasileiras, cujos deuses, principalmente os exus e as pombagiras, são vistos como manifestações dos demônios. [...]

Insuflados por essa crença, os membros das igrejas neopentecostais muitas vezes invadem terreiros visando destruir altares, quebrar imagens e "exorcizar" seus freqüentadores, o que geralmente termina em agressão física. No Rio de Janeiro, umbandistas do Centro Espírita Irmãos Frei da Luz foram agredidos com pedradas pelos freqüentadores de uma IURD situada ao lado deste Centro, na Abolição. Uma adepta da Tenda Espírita Antônio de Angola, no bairro do Irajá, foi mantida, por dois dias, em cárcere privado em uma igreja evangélica em Duque de Caxias, com o objetivo de renunciar à sua crença e converter-se ao evangelismo. [...]

No interior das igrejas neopentecostais são freqüentes as sessões de exorcismo (ou "descarrego", conforme denominação da Igreja Universal do Reino de Deus – IURD) dessas entidades, que são chamadas a incorporar para em seguida serem desqualificadas e expulsas como forma de libertação espiritual do fiel. [...] São comuns nesses programas os testemunhos de conversão dados por pessoas que se apresentam como antigos freqüentadores de terreiros, são entrevistados pelo pastor e "confessam" os malefícios que teriam sido feitos com a ajuda das entidades afro-brasileiras (chamadas de "encostos"). Os testemunhos mais explorados são os dos que se apresentam como ex-sacerdotes das religiões afro-brasileiras, chamados de "ex-pais-de-encosto", que explicam detalhadamente como faziam os despachos e sua intenção malévola.

Trechos do artigo Neopentecostalismo e religiões afro-brasileiras: Significados do ataque aos símbolos da herança religiosa africana no Brasil contemporâneo, de Vagner Gonçalves da Silva. Mana. Rio de Janeiro, vol.13, no.1, Abril de 2007. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-93132007000100008&lng=en&nrm=iso>.

Abaixo imagens da série Broken Faith/Aterro da Fé, de Iam Godoy. As fotos registram artigos oriundos de um terreiro de umbanda na zona sul de São Paulo que foram abandonados e queimados em um terreno baldio por pais-de-santo, agora convertidos ao neopentecostalismo.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Exu e a locomoção

Para estar em toda a parte do Universo, Exu é dotado de uma rapidez espantosa, podendo se locomover de uma parte a outra em uma fração de tempo inimaginável. Assim, esse Orixá passou a ser dotado também do poder e o controle da locomoção, da velocidade. E, concomitantemente, mensageiro do Criador, Imolês e Orixás.


Na umbanda, os diversos exus são divididos em falanges, ou linhas, que as classificam a partir de sua área de atuação. Desses domínios há a linha das encruzilhadas e das estradas, o qual fazem parte entidades como Exu 7 Estradas, Exu Capa Preta da Encruzilhada, Exu 7 Caminhos, Exu Tranca Rua. Estes exus se responsabilizam pelo fluxo das coisas e cuidam para que tudo chegue - ou não - ao seu destino. Assim, o automóvel, criação humana que otimiza a locomoção, não só relaciona-se com Exu, mas torna-se seu legítimo instrumento, na medida que encurta as distâncias e proporciona maior eficiência no transporte.

http://www.vice.com/pt_br/read/trabalho-de-domingo-hora-extra


http://www.vice.com/pt_br/read/trabalho-de-domingo-hora-extra

http://www.nozesnafrita.net.br/


http://www.paimaneco.org.br/textos/experiencia-bacana
 
Registro enviado por Maria José Spiteri.
Registro enviado por Luciano Alarkon.


Registro enviado por Drey Martiliano.

Registro enviado por Maria José Spiteri.




segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Iconologia do ebó - parte 7

Série de postagens explorando a iconografia dos ebós apresentados na instalação "Reconstruindo Exu".

Foto de Danilo Menezes.


1- História
A história de Exu no Brasil se inicia com a vinda dos primeiros escravos para cá, trazidos à força pelos colonizadores portugueses. Tragicamente a presença de Exu nessas terras (assim como a de todos os outros orixás) teve como custo o sacrifício de milhões de africanos. Aqui, as penas arrancadas remetem aos africanos cujas vidas foram deliberadamente ceifadas pelos portugueses.


Foto de Danilo Menezes.

1- Sacrifício
Sendo personificações de forças da natureza, todos os orixás estão intimamente associados a elementos de origem mineral, vegetal e animal. Cada entidade possui um animal litúrgico, por exemplo, não raro o mesmo que é oferecido em sacrifício diante da necessidade ritual. Exu possui dois animais litúrgicos: o galo e o bode. Coincidentemente, o galo também é um animal associado à cultura portuguesa na figura do Galo de Barcelos. E aqui se mostra o contraste gritante entre as diferentes visões do mesmo símbolo: sacrificador em nome da soberania de uma cultura e sacrificado por não pertencer a esta cultura.