segunda-feira, 29 de julho de 2013

Exu por Chico Tabibuia


O artista Chico Tabibuia ao lado de sua escultura "Exu".
<http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa21764/chico-tabibuia>


 Ora, ao retratar o sobrenatural Exu, sob as suas mais diversas formas, inclusive sob a dualidade masculino/feminino, Tabibuia estaria assumindo um papel de pessoa já externa à religião da umbanda. Com a possível contradição - tão comum na arte e na vida - de não ter abandonado em profundidade as crenças relativas a ela, já que atribui às esculturas um papel quase votivo e sem dúvida exorcizador dos dissabores causados por Exu, que ele agora identifica Lúcifer. Legitimado pela religião evangélica para a retratação do orixá, não mais transgressor porque livre da interdição do mistério, por outro lado Tabibuia declara que, ao representar os exus, faz com que fiquem aprisionados na escultura, "para não fazerem mais mal ao povo", ficando cada vez mais "fugidos das matas", onde poderiam atuar em liberdade.
Ficam patentes nessas suas palavras, e na sua obra realizada, as grandes energias que envolvem a um tempo concentração, prazer e sofrimento, mobilizadas pelo escultor em seu trabalho, ao transformar uma força natural em forma viva, porque criativa.



Trecho do prefácio de Lélia Coelho Frota para o livro A escultura mágico-erótica de Chico Tabibuia, de Paulo Pardal. 

"Exu" - 1980

"Exu hermafrodita" - 1996

"Família de Exus" - 1996
  
"Exu bissexual" - 2004
"Exu" - 2004

domingo, 21 de julho de 2013

Reconstruindo Exu na Casa das Caldeiras


Dos dias 14 a 23 de julho a exposição Tempo Forte, na Casa das Caldeiras, em São Paulo, apresentou os trabalhos dos artistas atualmente em residência. Nesta ocasião foi apresentada a instalação "Reconstruindo Exu", uma obra poética que sintetiza alguns dos resultados obtidos durante a pesquisa registrada neste blog.
Abaixo estão algumas fotos da instalação. Mais imagens podem ser vistas no álbum "Reconstruindo Exu", no Flickr: <http://www.flickr.com/photos/tauffenbach/sets/72157634745199568/>.

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Exu e o sexo


"Exu Oba Wura". Escultura do artista Master Saint.
<http://mastersaint.com>
Exu por ser resultado da interação de um par, é o portador mítico do sêmen e do útero ancestral e como princípio de vida individualizada ele sintetiza os dois, É por isso que frequentemente, e, é representado pela forma de um par, uma figura masculina e uma feminina, unidos por fileiras de búzios. Exu está profundamente ligado à atividade sexual. Representados por um falo (pênis), ou suas representações simbólicas como: os penteados de forma fálica, sua arma, o ogó - bastão em forma de pênis -, sua lança; já as cabacinhas representam seus testículos.
Exu também está representado com objetos à sua boca; dedo, cachimbo e principalmente flauta, que vem representar a atividade sexual, como absorção e expulsão, ingestão e restituição, com a flauta Exú chama seus descendentes. Portanto símbolo por excelência da fecundidade. Exú jamais toma a forma de procriador. Exu é cultuado tanto como lésè-égún, como lésè-orixá, e apenas por seu intermédio é possível cultuar os orixás e as Iyá-mi (mãe ancestral). Não é apenas Òjisé-ebo, mas principalmente Òjisé, o mensageiro, fazendo a comunicação entre tudo que é oposto.

Trecho de texto retirado do blog Tanos. Disponível em: <http://tanos.blogspot.com.br/2004/07/orixas-histrias-e-dados.html>.

Exu e a infância

À esquerda, imagem de capa da revista de histórias em quadrinhos do personagem
Brasinha (Hot Stuff, no original em inglês), que carrega o mesmo nome de um
muito conhecido exu mirim. À direita, imagem de exu mirim. Disponível em
<http://evandrodeogum.blogspot.com.br/2012/10/exu-mirim-e-mojuba.html>.
Os [exus] mirins refletem a delinquência infanto-juvenil das crianças de rua, sem disfarces ou recondicionamentos. Propõem-se como antípodas da beleza, inocência e pureza infantil (típica das crianças da "direita"). Geralmente são descritos como muito feios. A feiúra metaforiza esteticamente o lado "errado" da vida pelo qual trafegam (ou trafegaram).
Segundo uma mãe de santo, "uma característica deles é perigo à vista, como as crianças de rua. Carentes, têm a sensibilidade deles, mas oferecem perigo. Eles estão com medo, mas fazem com que você tenha mais medo do que eles, para intimidar, exatamente como um moleque de rua".
A sua periculosidade é apresentada como talento (como de fato o é e assim a compreendem, espelhando os recursos que permitem às crianças de rua sobreviver). Fiel ao seu "ethos", a Umbanda vai elaborar estas crianças que se defendem assustando, intimidando, e podem de fato ferir, socializando as suas "defesas". Transformando a sua competência ofensiva em qualidade defensiva. Descobre virtudes nos seus defeitos, inclui-os, sem pré-condicionar que isso se faça ao preço da anulação do modo de ser que se lhes tornou constitutivo (o que seria mais uma forma de violência, típica de outros cenários do menu religioso brasileiro, determinados por vocações doutrinadoras ou conversoras, umas e outras tentativas de supressão do diferente e da especificidade).
Moleques em fase de auto-afirmação, são fortes e gostam de mostrar serviço. Geralmente exibidos e fanfarrões, são imprevisíveis, temerários, ágeis, mutantes e desafiadores da autoridade. Empenham-se ao máximo para provar que são capazes e obter aprovação, o que aumenta a sua presumida periculosidade.
Por serem crianças, supõem-se pouco acessíveis a argumentos racionais e, pequenos, capazes de entrar em brechas mínimas em que ninguém pode alcançá-los (frestas que, concomitantemente, se compreendem como lugares metafísicos e como mínimas rugosidades do caráter alheio e/ou feridas psíquicas mal cicatrizadas...).

Trecho do artigo Sublimidade do mal e sublimação da crueldade: criança, sagrado e rua, de José Francisco Miguel Henriques Bairrão. Disponível em
<http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-79722004000100009&lng=en&nrm=iso>.

terça-feira, 9 de julho de 2013

Exu na Casa das Caldeiras

No próximo domingo, 14 de julho, o Ministério da Cultura e a Casa das Caldeiras apresentam a primeira exposição do Programa de Residência Artística "Obras em Construção", com obras resultantes desta primeira fase do processo de residência.

O projeto "A Reconstrução de Exu", de Alexandre Furtado e Leopoldo Tauffenbach irá apresentar uma instalação que sintetiza os resultados da investigação desenvolvida nestes primeiros meses.

Além da instalação do projeto, o público poderá conferir as obras e performances dos artistas Ricardo de Castro, Élcio Miazaki, Flávia Mielkin, Ivan Chiarelli, Bruno Gold, Coletivo Pi e Núcleo Aqui Mesmo.

A abertura acontece no domingo, dia 14, das 16h às 20h. A visitação acontece nos dias 15, 16, 21, 22 e 23. Durante a semana a Casa das Caldeiras está aberta das 9h às 17h. Dia 21h novamente das 16h às 20h.

Estão todos convidados. A entrada é franca e aberta.

A Casa das Caldeiras fica na Avenida Francisco Matarazzo, 2000, em frente ao Palmeiras e entre os shoppings Bourbon e West Plaza, próximo à estação Barra Funda.


quinta-feira, 4 de julho de 2013

Exu na Casa de Velas Santa Rita - parte 2

A iconografia brasileira dos exus não deixa dúvida sobre o que se pensa deles nas casas em que se observa o culto de quimbanda. Na verdade, não é preciso ir a um templo em que se realiza culto a essas entidades para ver as estátuas de gesso dos exus e pombagiras de quimbanda em tamanho natural, monumentos figurativos de gosto duvidoso, figuras masculina e feminina concebidas com as roupas, adereços e posturas que se imaginam próprias dos soberanos do inferno e dos humanos decaídos. Para apreciar a iconografia dos exus, basta andar pela rua e passar em frente a uma loja de artigos religiosos de umbanda e candomblé, que têm certa predileção de exibir essas estátuas à venda na entrada dos estabelecimentos, bem à vista. Há uma grande variedade dessas imagens, umas grandes, outras de tamanhos menores, um modelo para cada exu, um para cada pombagira, estas com freqüência idealizadas com roupas sumárias, se não escandalosas, lembrando mulheres de vida fácil no imaginário popular. Nos terreiros, elas se encontram no barracão ou mais preferencialmente nos quartos do culto reservado aos iniciados, os quartos-de-santo, ou, conforme a designação umbandista, na tronqueira, o quarto dos exus.

Trecho do artigo Exu, de mensageiro a diabo. Sincretismo católico e demonização do orixá Exu, de Reginaldo Prandi. Revista USP nº50. São Paulo: USP, 2001. Disponível em <http://www.revistas.usp.br/revusp/article/view/35275/37995>.

Imagem de Exu Zé Pelintra.
Imagem de Exu Rei.
Imagens de ferro de exus e pombagiras.
Detalhe de imagem de ferro de exu.
Cartolas de exus.
Imagem de Exu Cobra
Garfos de ferro de exus.
Imagem de Exu Asa Negra.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Exu e os mercados - parte 2

Mercado Público de Porto Alegre:

O Mercado Público faz parte dos “caminhos invisíveis dos negros em Porto Alegre”, e sua importância deve-se a preservação e culto ao Orixá Bará Agelu Olodiá assentado no centro do prédio. O Bará é, dentro do panteão africano, a entidade que abre os bons caminhos, o guardião das casas e da cidade, e representa o trabalho e a fartura. Os religiosos de matriz africana e frequentadores acreditam na força do axé do orixá, que garantiu a sobrevivência e a prosperidade do mercado ao longo de seus 244 anos, dando fartura aos transeuntes que passam no local e fazem seus pedidos. Os africanistas e simpatizantes, ao fazerem seus pedidos de abertura dos caminhos na terra para a fartura de comida na mesa e de prosperidade na vida ao Bará, jogam sete moedas, como certos da sua proteção. 
Trecho do texto Bará do mercado, de Mãe Norinha de Oxalá. Disponível em:
<http://museudepercursodonegroemportoalegre.blogspot.com.br/p/textos.html>.


[...] documentário "A Tradição do Bará do Mercado - Os Caminhos Invisíveis do Negro em Porto Alegre", dirigido por Ana Luiza Carvalho da Rocha [...] traz relatos de babalorixás, ialorixás, tamboreiros e outros praticantes de religiões afro-brasileiras na Capital do Rio Grande do Sul. Buscando tornar mais conhecida uma antiga tradição, que se manifesta por meio de rituais e práticas realizadas pelos religiosos de matriz africana no interior e arredores do Mercado Público de Porto Alegre, o documentário permite ao espectador um passeio no tempo e pelas transformações de Porto Alegre sob o ponto de vista do negro. Conforme a tradição, no meio da encruzilhada que funda o Mercado está "sentado" o orixá Bará - entidade responsável pela abertura dos caminhos e pela fartura.
O vídeo integra projeto patrocinado pela Petrobrás, por meio da Lei Federal de Incentivo a Cultura. Tem produção de Anelise Gutterres, fotografia de Rafael Devos, captação sonora de Viviane Vedana e edição de Alfredo Barros. O projeto foi realizado pela Secretaria Municipal da Cultura de Porto Alegre em parceria com a Congregação em Defesa das Religiões Afro do Estado do Rio Grande do Sul (Cedrab). 
Texto de Anahy Metz publicado no Portal do Estado do rio Grande do Sul. Disponível em: <http://www.rs.gov.br/master.php?capa=1&int=noticia&notid=105272&pag=218&editoria=&midia=&menu=orig=1>.

terça-feira, 2 de julho de 2013

Exu e os mercados - parte 1

Os lugares preferidos de Exu são as encruzilhadas e os mercados – como a Feira de São Joaquim, em Salvador, ou o Mercado de Madureira, no Rio de Janeiro, que lembram em muitos aspectos os mercados nigerianos.

Trecho do livro Candomblé: a panela do segredo, de Pai Cido de Òsun Eyin. Editora Arx, 2008.

Conta a tradição oral que o mercado municipal de Porto Alegre também possui o seu Exú protetor e sustentáculo, assentado e enterrado no solo do local. Não se sabe ao certo a sua localização, mas conta-se que não pode ser desenterrado, pois isso faria ruir a edificação. A relação existente entre Exú e as feiras e mercados públicos é essencialmente comunicacional. “Mas quem o esquece, ou não lhe faz as devidas oferendas, incorre na sua ira e ele, por ser extremamente vingativo, provocará brigas e disputas – pois é o senhor de quem está na feira – ou, então, fará as intercomunicações cessarem” [...]. Sem Exú, sem comunicação, não há venda. Sob os auspícios de Exú, o mercado configura-se como locus da comunicabilidade, da troca entre os comuns, da partilha de sensibilidades.

Trecho do artigo Consumindo o candomblé: estudo sobre a comunicação dos objetos dessacralizados e trocas sígnicas na pós-modernidade, de Cristiano Henrique Ribeiro dos Santos. Disponível em <http://www.compos.org.br/seer/index.php/e-compos/article/viewFile/87/87>.

Mercadão de Madureira:

Selmy Yassuda
<http://vejario.abril.com.br/especial/achados-dicas-melhores-lojas-mercadao-de-madureira-744230.shtml>
<http://cronicasdumasviagens.wordpress.com/2010/05/12/mercadao-de-madureira-como-ponto-turistico/>
<http://www.flickr.com/photos/denilsoncosta/sets/72157624085146157/>

Feira de São Joaquim, por Luciana Zacarias:

<http://www.flickr.com/photos/lucianazaca/sets/72157602201039008/detail/>
<http://www.flickr.com/photos/lucianazaca/sets/72157602201039008/detail/>
<http://www.flickr.com/photos/lucianazaca/sets/72157602201039008/detail/>
<http://www.flickr.com/photos/lucianazaca/sets/72157602201039008/detail/>