domingo, 30 de junho de 2013

Exu- a boca que tudo come

O orixá Exu, considerado aquele que carrega as mensagens entre deuses e homens, é tema do documentário dirigido por Liana Cunha e Samanta Pamponet, que busca traços de sua presença na Feira de São Joaquim, em Salvador, Bahia.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Os muitos nomes de Exu

Parte de catálogo de imagens de exus da fábrica Imagens Bahia
<http://www.imagensbahia.com.br/>

Na tradição do Candomblé, Exu (como todos os outros orixás) está sujeito a diversas denominações diferentes. Isso se dá por diversos fatores. A começar pelo idioma e região de culto, por exemplo, seguindo depois para suas qualidades ou manifestações e relação com outros orixás. Assim, Exu é chamado de Papa Legbá no Haiti, Exu Agbá quando se tratar de sua manifestação mais ancestral e Exu Jaresú quando estiver acompanhando o orixá Obaluaiê.

Já na Umbanda e outros ritos sincréticos afro-brasileiros, Exu acaba por adquirir a forma de espíritos de seres humanos com uma história de vida pregressa no mundo físico, com base em orientações dos princípios kardecistas. São entidades, em geral, com uma história trágica e que atuam no plano espiritual com o propósito de expiar suas possíveis faltas. "Exu" passa a designar não mais uma entidade particular, mas uma classe de espíritos. Exu Tatá Caveira, por exemplo, fora em vida um soldado romano morto por uma traição do próprio irmão. Já Zé Pelintra tinha em vida o nome de José dos Anjos - ou José Gomes da Silva, dependendo da tradição - e levou uma vida de boemia e transgressão às leis.

A partir de hoje inauguramos uma nova página, intitulada Os nomes de Exu. Nela listamos em ordem alfabética todas as nominações dadas a Exu e suas diferentes manifestações e representações, tal como levantadas a partir de fontes bibliográficas, relatos e investigação de campo. Longe de querer ser uma versão final e definitiva, a página se encontra em processo constante de construção e aceita quaisquer  colaborações.

terça-feira, 25 de junho de 2013

Exu e Jorge Amado

"Exu" - foto de Edmilson Silva da escultura de Mario Cravo
na Fundação Casa de Jorge Amado.
<http://www.flickr.com/photos/edmilsonsilva/94019382/>

Exu come tudo que a boca come, bebe cachaça, é um cavalheiro andante e um menino reinador. Gosta de balbúrdia, senhor dos caminhos, mensageiro dos deuses, correio dos orixás, um capeta. Por tudo isso sincretizaram-no com o diabo; em verdade ele é apenas o orixá em movimento, amigo de um bafafá, de uma confusão mas, no fundo, excelente pessoa. De certa maneira é o Não onde só existe o Sim; o Contra em meio do a Favor; o intrépido e o invencível. Toda festa de terreiro começa com o padê de Exu, para que ele não venha causar perturbação. Sua roupa é bela: azul, vermelha e branca e todas as segundas-feiras lhe pertencem. Há várias qualidades de Exu: Exu Tiriri, Exu Akessan, Exu Yangui, muitos outros. Exu leva o ogó, sua insígnia, e gosta de sentir o sangue dos bodes e dos galos correndo em seu peji, em sacrifício.

Texto de Jorge Amado, disponível no site da Fundação Casa de Jorge Amado.
<http://www.jorgeamado.org.br/?page_id=53>

Foi feito despacho de Exu, para que ele não viesse perturbar a boa marcha da festa. E Exu foi para muito longe, para Pernambuco ou para a África.
E Exu, como tinham feito o seu despacho, foi perturbar outras festas mais longe, nos algodoais da Virgínia ou nos candomblés do Morro da Favela.
Uma vez tinham metido Jubiabá na chave, o pai-de-santo passara a noite lá e tinham levado Exu. Foi preciso que Zé Camarão, que era finório como ele só, fosse buscar o Orixá - lá na própria sala do delegado, nas barbas do soldado. Quando o malandro chegara com Exu debaixo do casaco foi uma festa. E houve uma macumba que durou a noite toda para desagravar Exu que estava furioso e poderia perturbar as outras festas depois.

Trechos retirados do livro Jubiabá, de Jorge Amado (Companhia das Letras, 2008).

domingo, 23 de junho de 2013

Mapa de Exu

Clique na imagem para visualizá-la em tamanho maior.

Nos primeiros anos do século XVIII teve início a povoação de Exu, decorrentes dos contatos da tribo indígena Ançu, com a Fazenda da Torre, à margem do Rio São Francisco, habitada por proprietários baianos. Os indios, já amigos dos vaqueiros daquelas fazendas, levaram estes às suas tabas e ao regressar os vaqueiros informaram aos patrões que as terras onde moravam os índios, eram cheias de fontes de águas excelentes e os terrenos de muito boa qualidade para o cultivo e criar. Conhecida a região, os fazendeiros se transferiam para lá. Logo após chegaram alguns jesuítas, que ali permaneceram alguns anos e, partiram deixando apenas vestígio de suas estadas, pois construíram uma capelinha ao Senhor Bom Jesus dos Aflitos, que tornou-se o padroeiro da cidade.



A denominação Exu, conforme os habitantes da terra, existem duas versões, uma decorrentes de uma corrutela do nome da tribo Ançu da nação Cariris e a outra, que os índios puzeram o nome de Exu, devido a um tipo de abelhas de ferrão, denominadas "Inxu", que ao ferroar causava muita dor.
Conforme informações locais, a penetração do município, ocorreu no século XVIII, pelos portugueses, tendo à frente Joaquim Pereira de Alencar, avô do Barão do Exu.

Latitude: -07º 30' 43"
Longitude: -39º 43' 27"
Gentílico: exuense ou exuoara

Texto retirado da página Histórico de Exu do site do IBGE: <http://www.ibge.gov.br/cidadesat/painel/painel.php?codmun=260530#historico>.

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Exu na Umbanda

"Exu Capa Preta" - Leopoldo Tauffenbach, 2010.
http://www.flickr.com/photos/tauffenbach/sets/72157631542645557/


Há algumas diferenças na maneira de ver Exu no Candomblé e na Umbanda.
No primeiro, Exu é como os demais Orixás, uma personalização de fenómenos e energias naturais. O Candomblé considera que as divindades, ou seja os Orixás, incorporam nos médiuns (cavalos ou aparelhos). Na Umbanda, quem incorpora nos médiuns, além dos Caboclos, Pretos Velhos e Crianças, são os Falangeiros de Orixás, representantes deles, e não os próprios.
A Umbanda considera os Exus não como deuses, mas como uma entidade em evolução que busca, através da caridade, a evolução. Em síntese, o grande agente mágico do equilíbrio universal. Também é o guardião dos trabalhos de magia, onde opera com forças do astral. E também são considerados como “policiais”, “sentinelas”, “seguranças” que agem pela Lei, no submundo do “crime” organizado e principalmente policiando o Médium no seu dia-a-dia. As “equipes” de Exus sempre estão nestas zonas infernais, mas, não vivem nela.
Obedecem à severa hierarquia nos comandos do astral se classificando também como Exus cruzados, espadados e coroados.
Exus de Umbanda, de acordo com a crença religiosa, são espíritos de diversos níveis de luz que incorporam nos médiuns de Umbanda, Omolokô, Catimbó, Batuque, Santo Daime, Xambá e Candomblé de caboclo.

Trecho do texto Exu no Candomblé e na Umbanda, de Maria Manuela. Disponível em <http://ocandomble.wordpress.com/2009/09/02/exu-no-candomble-e-na-umbanda/>.


Outra reinterpretação umbandista coloca Exu na ordem evolucionista de precedência conforme o modelo kardecista; ele é reduzido a um espírito menos evoluído que todavia tem potencial para evoluir e se tornar um espírito bom. Alguns umbandistas distinguem entre Exu pagão e Exu batizado, que se submeteu à doutrinação e encontrou o caminho certo da escada da evolução. Esta distinção reflete algo do caráter original ambivalente de Exu, apesar do rito de passagem do batismo, que define a distinção que é certamente novo. Novamente este batismo do Exu pagão tem sido interpretado como uma expressão e aculturação e domesticação do mal, do perigo e da imoralidade.

Trecho do artigo Discursos sobre as religiões afro-brasileiras - Da desafricanização para a reafricanização, de Tina Gudrun Jensen, traduzido por Maria Filomena Mecabô (Revista de Estudos da Religião - REVER Nº 1, 2001). Disponível em <http://www.pucsp.br/rever/rv1_2001/t_jensen.htm>.

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Exu Santo Antônio

"Exu/Santo Antônio" - Leopoldo Tauffenbach, 2009.
<http://www.flickr.com/photos/tauffenbach/sets/72157623675802660/with/4456625266/>

O sincretismo representa a captura da religião dos orixás dentro de um modelo que pressupõe, antes de mais nada, a existência de dois pólos antagônicos que presidem todas as ações humanas: o bem e o mal; de um lado a virtude, do outro o pecado. Essa concepção, que é judaico-cristã, não existia na África. As relações entre os seres humanos e os deuses, como ocorre em outras antigas religiões politeístas, eram orientadas pelos preceitos sacrificiais e pelo tabu, e cada orixá tinha suas normas prescritivas e restritivas próprias aplicáveis aos seus devotos particulares, como ainda se observa no candomblé, não havendo um código de comportamento e valores único aplicável a toda a sociedade indistintamente, como no cristianismo, uma lei única que é a chave para o estabelecimento universal de um sistema que tudo classifica como sendo do bem ou do mal, em categorias mutuamente exclusivas.

Trechos do artigo Exu, de mensageiro a diabo. Sincretismo católico e demonização do orixá Exu, de Reginaldo Prandi. Revista USP nº50. São Paulo: USP, 2001. Disponível em <http://www.revistas.usp.br/revusp/article/view/35275/37995>.

Ainda que Exu tenha sido associado ao diabo pelos cristãos, em algumas tradições afro-brasileiras sincretiza com Santo Antônio. Reza a lenda que a associação com o santo se deu a partir da relação com o fogo, uma vez que nas festas de Santo Antônio são comuns as fogueiras e Exu é visto como guardião do fogo. Sincretizado com Exu, Santo Antônio pode ser chamado de Santo Antônio de Pemba ou Santo Antônio de Ouro Fino.

Ponto de Exu / Santo Antônio:


Santo Antonio de Batalha
Há de vir, batalhador
Santo Antonio de Batalha
Há de vir, batalhador

Corre gira, Pomba Gira
Tranca Rua e Marabô
Corre gira, Pomba Gira
Tranca Rua e Marabô

terça-feira, 11 de junho de 2013

Perfil de Exu


Imagem de Exu ajoelhado. África, século XIX. Acervo do Brooklyn Museum.
<http://www.brooklynmuseum.org/opencollection/objects/108321/Kneeling_Figure_Eshu-Elegba/image/120717/image#>

Exu é o orixá mensageiro; nada se faz sem ele e ele nada faz sem cobrar a sua parte. É também o guardião da porta da rua e o dono das encruzilhadas. É desprovido de qualquer senso de moralidade no sentido ocidental. É sincretizado com o diabo, as almas e São Gabriel, mas em Cuba é o Menino Jesus. Seus filhos usam contas de louça azul-escuro e, quando em transe, Exu é vestido nas cores azul-escuro e vermelho, trazendo na mão um ogó, bastão fálico. Todas as cerimônias começam com uma louvação prévia a Exu. A ele são sacrificados bode e galo preto. Também “come” farofa, pipoca, feijão, inhame, e “bebe” mel, dendê, aguardente e gim. Suas principais qualidades (invocações, avatares) no queto são: Iangui (o da porta), Ijelu, Agbbô, Inã (do fogo), Odara (do feitiço), Elebó, Enuquebarijó (o multiplicador), Eleru, Onã ou Lonã, Aqueçã, Barabô (primeira qualidade a ser louvada em qualquer terreiro do Brasil e em Cuba); no angola é chamado Bombogira (de onde vem Pomba Gira, Exu feminino), Tiriri, Lembá, Nilê, Cariapemba; no jeje: Elegu , Bara, Lalu. Seu dia é segunda-feira e sua saudação Laroiê!

Trecho retirado do livro Os candomblés de São Paulo, de Reginaldo Prandi. Disponível em: <http://www.fflch.usp.br/sociologia/prandi/csp-down.htm>.


Exu recebe diversos nomes, de acordo com a função que exerce ou com suas qualidades: Elegbá ou Elegbará, Bará ou Ibará, Alaketu, Agbô, Odara, Akessan, Lalu, Ijelu (aquele que rege o nascimento e o crescimento de tudo o que existe), Ibarabo, Yangi, Baraketu (guardião das porteiras), Lonan (guardião dos caminhos), Iná (reverenciado na cerimônia do padê).
A segunda-feira é o dia da semana consagrado a Exu. Suas cores são o vermelho e o preto; seu símbolo é o ogó (bastão com cabaças que representa o falo); suas contas e cores são o preto e o vermelho; as oferendas são bodes e galos, pretos de preferência, e aguardente, acompanhado de comidas feitas no azeite de dendê. Aconselha-se nunca lhe oferecer certo tipo de azeite, o Adí, por ser extraído do caroço e não da polpa do dendê e portar a violência e a cólera. Sua saudação é "Larôye!" que significa o bem falante e comunicador.
Consiste o padê em um prato de farofa amarela, acaçá, azeite-de-dendê e uma quartinha de água ou cachaça, que são “arriados” para Exu.
Na nação de angola ou candomblé de Angola Exu recebe o nome de Aluvaiá, Pambu Njila, e Legbá, no Candomblé Jeje.
Não deve ser confundido com a entidade Exu de Umbanda. Os exus de umbanda sao entidades de pessoas desencarnadas que, por motivos de evoluçao espiritual, retornaram à terra para cumprir essa missão junto ao seus seguidores. Essas entidades são confundidas com esu ou exu do Candomblé devido à proximidade que Exu tem com os homens. Entretanto, não são considerados orixás como o Exu, e sim quiumbas - conhecedores das vontades de homens e mulheres no plano terrestre, tendo vivido em épocas diferentes, porém com os mesmos problemas, desejos e sonhos.

Trecho retirado da página Exu (orixá), da Wikipedia. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Exu_%28orix%C3%A1%29>.

domingo, 9 de junho de 2013

Indícios de Exu


"Atá de Exú II" - Fotografia de Marcos Palhano
da série "Oferendas: Indícios do Sagrado", 2012.

As oferendas são dádivas, presentes, ofertas que são feitas com o objetivo de agradar aos orixás. Ao mesmo tempo são indícios, fragmentos de um encontro sagrado entre o homem e aquilo que o transcende. Na umbanda e candomblé, as oferendas tem um papel primordial, pois através delas alcança-se o favor dos orixás. A visão religiosa africana concebe a dinâmica do dar e receber como meio de troca de axé. Através dessa troca (a oferenda), a harmonia é estabelecida, o equilíbrio entre céu e a terra - chamados de orum e aiye - é alcançado. As oferendas sacralizam o espaço ao seu redor e estendem uma ponte até a transcendência, possibilitando a conexão do homem com o divino. Para as religiões de origem africana, fé e natureza estão imbricadas. Isso nos põe frente à dificuldade do homem urbano, desprovido de ambientes adequados, em atuar sua crença. As praças, parques locais e pequenas áreas verdes, tornam-se então cenários sacralizados. Este ensaio fotográfico descortina também a face estética das oferendas. A presença de alguidares, flores, velas e outros itens, em meio aos elementos urbanos compõe um quadro de fruição estética, uma instalação-acontecimento na paisagem da metrópole.

Trechos retirados do texto Oferendas: indícios do sagrado, de Marcos Palhano, publicado no Caderno de Resumos do I Encontro Internacional de Estudos da Imagem (Londrina: UEL, 2012).

A série do fotógrafo Marcos Palhano chama a atenção por tratar das dinâmicas que envolvem os ritos de oferta no ambiente urbano, incluindo aí as ações posteriores à entrega. São oferendas que agora evidenciam as consequências do tempo, intervenções animais e humanas. Atos sagrados posteriormente maculados por eventos profanos. Outros trabalhos do artista podem ser vistos em sua página na internet: http://olhodobturador.carbonmade.com/

"Ebó III" - Fotografia de Marcos Palhano
da série "Oferendas: Indícios do Sagrado", 2012.

"Ajeun Exu Babá" - Fotografia de Marcos Palhano
da série "Oferendas: Indícios do Sagrado", 2012.
 
"Atá de Exu" - Fotografia de Marcos Palhano
da série "Oferendas: Indícios do Sagrado", 2012.

"Ebó II" - Fotografia de Marcos Palhano
da série "Oferendas: Indícios do Sagrado", 2012.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Exu e macumba

"Senhor dos Caminhos" - Fotografia de Frido Claudino da série "Laroiê Exu".
A série completa pode ser vista no site do artista:
<http://fridoclaudino.com/fotografia/portfolio/documentario/laroie-exu/>



Macumba é uma espécie de árvore africana e também um instrumento musical utilizado em cerimônias de religiões afro-brasileiras, como o candomblé e a umbanda. O termo, porém, acabou se tornando uma forma pejorativa de se referir a essas religiões - e, sobretudo, aos despachos feitos por alguns seguidores. Na árvore genealógica das religiões africanas, macumba é uma forma variante do candomblé que existe só no Rio de Janeiro. O preconceito foi gerado porque, na primeira metade do século 20, igrejas neopentecostais e alguns outros grupos cristãos consideravam profana a prática dessas religiões. Com o tempo, quaisquer manifestações dessas religiões passaram a ser tratadas como "macumba".

Os despachos nos cruzamentos ganharam fama de "macumba" porque são uma das expressões mais visíveis dessas religiões fora dos templos. Mas, na verdade, eles são oferendas para o orixá Exu, geralmente pedindo proteção. São colocados em encruzilhadas porque esses lugares representam a passagem entre dois mundos. Existem, sim, despachos feitos para fazer mal aos outros [...], mas nenhuma das religiões incentiva essa prática.

O instrumento macumba, que deu nome ao culto, hoje pouco utilizado, é parecido com um reco-reco.

Trechos retirados da matéria O que é macumba? assinada por Victor Bianchin e Marina Motomura, publicada no site Mundo Estranho, da Editora Abril.
Disponível em <http://mundoestranho.abril.com.br/materia/o-que-e-macumba>.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Dicionário de Exu

Cartão postal com imagem de Exu produzido
pela empresa Pau Brasilis (www.paubrasilis.com/)

Seleção de termos fundamentais relacionados a exu, retirados dos dicionários Aulete (http://aulete.uol.com.br/), Michaelis (http://michaelis.uol.com.br/) e Dicionário Aurélio Básico da Língua Portuguesa (Nova Fronteira, 1995).
Vale notar que a primeira edição consultada do Aurélio era de 1977. Diante da posição tendenciosa e até preconceituosa na definição dos verbetes, resolveu-se procurar uma versão mais atualizada. Ainda que não seja a mais atual (data de quase 20 anos atrás), surpreendentemente foi possível notar que as algumas definições permaneciam idênticas às da edição dos anos 1970, quase duas décadas depois.

exu
(e.xu) Bras.
sm.
1. Rel. Entidade de cultos afro-brasileiros, como o candomblé e a umbanda, que é uma espécie de mensageiro que leva os pedidos e oferendas dos homens aos orixás. [Com inicial maiúscula.]
2. Pop. O diabo.
[F.: Do ior. exu.]
(Aulete)

e.xu
(ch) sm (ioruba èsu) 1 Folc. Divindade da mitologia africana. 2 Folc. Na macumba, espírito maligno; diabo. 3 Entom. O mesmo que eixu. Ter exu no corpo: ser endemoninhado, ser mau.
(Michaelis)

(x = ch) sm. 1. Bras.Orixá que representa as potências contrárias ao homem, e assimilado pelos afro-baianos ao Demônio dos católicos, porém cultuado por eles, porque o temem. 2. Bras, N. E. V. diabo (2) Virar exu. Bras. 1. Receber o santo, ou cair em transe, na macumba. 2. Ser tomado de cólera; enfurecer-se.
(Aurélio)

calunga
ca.lun.ga
sf (quimbundo kalunga) Bot 1 Arbusto simarubáceo, também chamado paraíba-mirim, simaruba-mirim (Simaba glandulifera). 2 Arbusto simarubáceo, também chamado calumba (Simaba salubris). 3 Árvore simarubácea (Simaba ferruginea). 4 Arbusto simarubáceo (Simaba suffruticosa). 5 Entom Espécie de libélula. sm 1 Divindade secundária do culto banto. 2 Imagem dessa divindade. 3 Folc Figura de cera, pano, madeira, palha, barro ou metal com forma humana. 4 Folc Boneca usada no maracatu. 5 Irmão, companheiro fiel. 6 Zool Reg Na Bahia, o mesmo que camundongo; em Portugal, o mesmo que musaranho. 7 Qualquer coisa pequena. 8 Ajudante de carroceiro. 9 Ratoneiro. 10 Ictiol Peixe, também chamado pargo. 11 Reg Molho de mudas de arroz. 12 Cemitério, na linguagem de alguns cultos afro-brasileiros. C. de botica: indivíduo que se enfeita exageradamente. C. grande: o mar, na linguagem de alguns cultos afro-brasileiros.
(Michaelis)

ebó
e.bó
sm (ioruba ebo) 1 Cul Prato feito à base de farinha de milho branco e sem sal, com diversas formas de preparo. A mais comum é cozê-la, adicionando-se azeite de dendê. Outro processo é o de misturar a farinha com o milho e feijão-fradinho torrado. 2 Folc O mesmo que despacho, acepção 5.
(Michaelis)

S.m. Bras. 1. Oferenda de macumba. 2. Iguaria de milho e azeite-de-dendê, à qual, às vezes, se acrescenta feijão-fradinho torrado.
(Aurélio) 

elegbá
s. m. || (Bras., Minas Gerais, Bahia, Rio de Janeiro) , diabo, exu. F. iorubano Eleguá (diabo)
(Aulete)

encruzilhada
en.cru.zi.lha.da
sf (de encruzilhar) Lugar onde dois ou mais caminhos se cruzam. Var: encruzada.
(Michaelis)

falo1
fa.lo1
sm (gr phallós) 1 Anat Pênis. 2 Representação do membro viril que, entre os antigos, se adorava como símbolo da fecundidade da natureza. 3 Bot Gênero (Phallus) de cogumelos, tipo da família das Faláceas, cujo píleo pende livremente ao redor do caule.
falo2
elem comp (gr phallós) Exprime a ideia de falo, pênis: faladinia.

laroiê
la.roi.ê
sm (do ioruba) Reg (Bahia) Saudação especial a Exu.
(Michaelis)

padê
(pa.dê)
sm.
1. Bras. Rel. No candomblé e na umbanda, oferenda feita a Exu; DESPACHO
[F.: Do ior. pade.]
(Aulete)

pa.dê
sm (ioruba padé) 1 Cerimônia em honra a Exu, e que antecede as festas do candomblé. 2 Reg (Bahia) Folc Homenagem a Exu, antes de qualquer cerimônia do candomblé, para que ele não estrague a festa. P. de exu: desjejum que se oferece ao Exu, antes do início das cerimônias nos candomblés; é constituído de pipoca com azeite de dendê, seu alimento preferido.
(Michaelis)

despacho
(des.pa.cho)
sm.
1. Ação ou resultado de despachar, de apor (a autoridade pública) sua decisão ao final dos requerimentos que lhe são encaminhados.
2. Expedição, remessa (despacho de malote, despacho de correspondência).
3. Bras. Rel. Em cultos afro-brasileiros, oferenda a Exu (depositada em cachoeira, encruzilhada), ger. para que obtenha dos orixás um malefício para alguém; EBÓ
[F.: Dev. de despachar. Hom./Par.: despacho (sm.), despacho (fl. de despachar).]
(Aulete)

S.m. 1. Ato ou efeito de despachar. 2. Nota lançada por autoridade em petição ou requerimento, deferindo-o ou indeferindo-o. 3. Nomeação para cargo público. 4. Provimento em emprego público. 5. Diplom. Carta ou ofício enviado por um ministro a outro, acerca de assuntos de interesse público. 6. Rapidez na execução de um negócio. 7. Bras. Desenvoltura, desembaraço. 8. Bras. Pagamento antecipado do favor que se espera de Exu, que levará o recado ao orixá a quem está afeto aquilo que se deseja obter. 9. Bras. P. ext. V. bruxaria (1 e 2).
(Aurélio)

macumba
(ma.cum. ba) Bras. Rel. Umb.
sf.
1. Denominação dada aos cultos afro-brasileiros e aos seus rituais, originários do nagô, e que receberam influências de religiões africanas, ameríndias, católicas, espíritas e ocultistas.
2. Oferenda colocada nas encruzilhadas; DESPACHO
[F.: Do quimb. ma'kôba]
(Aulete)

S.f. Bras. 1. Sincretismo religioso afrobrasileiro, derivado do candomblé, com elementos de várias religiões africanas, de religiões indígenas brasileiras e do cristianismo. 2. O ritual sincrético que lhe corresponde. 3. Por derivação, magia negra. 4. V. bruxaria (1 e 2). 5. instrumento de percussão, espécie de reco-reco, de origem africana, e que produz um som de rapa.
(Aurélio)

marafo
s. m. || (Bras., Rio de Janeiro) (gír.) cachaça, aguardente.
(Aulete)

quimbanda1
(quim.ban.da) Bras. Rel.
sf.
1. Ramo da umbanda que supostamente pratica a magia negra e cujo culto tem como ponto principal a invocação de exus, com o objetivo de prejudicar pessoas.
2. Terreiro de quimbanda.
[F.: Do quicongo kibanda. Cf.: macumba.]
quimbanda2
(quim.ban.da) Rel.
s2g.
1. Bras. Sacerdote de cultos da linha angola e congo.
2. Ang. Adivinho, curandeiro.
[F.: Do quimb. kibanda.]
(Aulete)

ziquizira
(zi.qui.zi.ra) Bras.
sf.
1. Afecção, doença desconhecida; ZIGUIZIRA
2. Má sorte; AZAR; URUCUBACA; ZIGUIZIRA
[F.: De or. obsc.]
(Aulete)

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Exu no cinema

Cartaz 5º CineFantasy
Cartaz do 5º Cinefantasy - Festival de Cinema Fantástico - Leopoldo Tauffenbach, 2010

Exu, interpretado pelo ator Flavio Bauraqui, abaixo em duas cenas do filme Cafundó (2005), dirigido por Paulo Betti.


terça-feira, 4 de junho de 2013

Exu Zé do Caixão - parte 2

À direita: imagem do Exu Capa Preta da Encruzilhada. À direita: boneco do personagem Zé do Caixão, criado pelo artista Matthew Jaycox.

Zé do Caixão é seu personagem mais famoso, nascido de um sonho em que um exu aparece em seu quarto e lhe puxa, pelo pé, para o inferno. A semelhança do personagem com a entidade da umbanda/candomblé é evidente: a capa preta e a cartola caracterizam a figura popular nos terreiros. No entanto, Zé do Caixão não acredita na umbanda, no cristianismo, na reencarnação ou no que quer que seja, proferindo discursos niilistas capazes de abalar a fé dos mais fervorosos.

Trecho do texto de J. W. Kielwagen. Disponível em <http://bulhorgia.com.br/colunas_mojica.htm>.

Capa do disco "A Peleja do Diabo com o Dono do Céu", de Zé Ramalho. Fotografado pelo cineasta Ivan Cardoso, o cantor aparece cercado pelo Exu Zé do Caixão e por uma Pombagira, interpretada por Xuxa Lopes.

mas José Mojica Marins
é um grande ser artista
que fez de um personagem
seu forte ponto de vista
um homem que encara a morte
com uma visão realista

pro povo mais populista
que queiram analisar
o diabo é algo assim
crendice bem popular
exu de barba e capote
e unhas para agarrar

e se o diabo vem cantar
contra um dono do céu
que é o nome de um tal disco
envolto em paz e véu
os dois bons personagens
irão sentar-se no réu

Trecho do poema de cordel A Peleja de Zé do Caixão com o cantor Zé Ramalho, de Zé Ramalho. Disponível em <http://www.zeramalho.com.br/sec_news.php?page=1&id_type=2&id=28>.

Rótulo de marafo com imagem de Zé do Caixão. Autoria e data desconhecidas.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

A Boca do Mundo - Exu no Candomblé

Exu sou eu, com 78 anos. - Mãe Beata de Iemanjá

A Boca do Mundo é um curta-documentário dirigido pela pesquisadora da Ufscar e cineasta Eliane Coster. A obra apresenta as muitas manifestações do orixá Exu no "cotidiano das ruas, nos mercados de trocas, nas manifestações religiosas, em bares à noite, nas encruzilhadas das estradas, em objetos, sons, cores, comidas, bebidas, festas, pessoas e todos os locais e atos nos quais seja possível encontrar uma representação/manifestação do orixá." (texto retirado do blog oficial do projeto).
O documentário foi indicação da
fotógrafa e professora Fernanda Mazete, leitora do blog.



Para saber mais, visite o blog do documentário: abocadomundodoc.wordpress.com/

domingo, 2 de junho de 2013

Exu na Casa de Velas Santa Rita

Na região central da cidade de São Paulo existe uma loja que é um ponto de referência para religiosos: a Casa de Velas Santa Rita, também conhecida como Casa das Velas. Diferente das lojas comuns de artigos religiosos, que geralmente são direcionadas a atender uma ou outra religião, a Casa de Velas Santa Rita apresenta um vasto estoque de artigos católicos e afro-brasileiros em um mesmo local.

Sua localização é emblemática. Situa-se na Praça da Liberdade, ponto central do bairro que abriga a maior colônia japonesa do mundo. Até o final do século XIX a praça era conhecida como Largo da Forca, por abrigar uma forca para punir criminosos e negros. Ao lado da Casa de Velas Santa Rita está a Igreja Santa Cruz das Almas dos Enforcados, onde se criou o hábito de acender velas em homenagem às almas enforcadas naquele local. Com a abolição dos escravos e da pena de morte no Brasil, o largo teve seu nome alterado para Praça da Liberdade.

A Casa de Velas Santa Rita foi inaugurada em 1935 como uma leiteria e casa de velas. Naquela época as velas eram feitas de sebo animal, e aproveitava-se a matéria-prima vinda dos bovinos para atender às necessidades dos devotos da igreja. Muitos desses devotos eram negros, descendentes de escravos, e iniciados na Umbanda, ainda perseguida e que se manifestava às escondidas. Aproveitando essa lacuna, pouco a pouco a Casa passou a comercializar artigos religiosos. Artigos para os católicos que frequentavam as igrejas próximas e os iniciados nos cultos afro-brasileiros que também frequentavam as igrejas, mas precisavam de material para seus terreiros.

Dentro da Casa Santa Rita há uma sessão dedicada aos exus e pombagiras. Abaixo segue um pequeno ensaio fotográfico dos artigos de esquerda da Casa. Clique nas imagens para visualizá-las em tamanho maior.

Área dedicada às imagens de entidades da Umbanda.

Estante com imagens de exus e pombagiras.

Detalhe da estante com imagens de exus e pombagiras.

Imagem de Exu Destranca Rua (não confundir com o Exu Tranca Rua).

Imagem de Exu Marabô, com imagens de Exu Lorde da Morte ao fundo.

Imagem de Exu Pimenta.

Detalhe da imagem de Exu João Caveira.

Imagem de Exu Mau Olhado.

Marafo (bebida para oferenda a exus) vendido na loja.


A Casa de Velas Santa Rita fica na Praça da Liberdade, 248. São Paulo - SP. Telefone: (11) 3208-7022.
Endereço eletrônico: http://www.srita.com.br/


sábado, 1 de junho de 2013

Exu não é o diabo

Carta do Tarô dos Orixás, publicado pela Editora Palas, associando Exu ao Diabo do Tarô.
Vale ressaltar que a figura do Diabo no Tarô se aproxima de Exu na medida que não se identifica
com o mal, mas com aspectos reprimidos da natureza humana.


Os primeiros europeus que tiveram contato na África com o culto do orixá Exu dos iorubás, venerado pelos fons como o vodum Legba ou Elegbara, atribuíram a essa divindade uma dupla identidade: a do deus fálico greco-romano Príapo e a do diabo dos judeus e cristãos. A primeira por causa dos altares, representações materiais e símbolos fálicos do orixá-vodum; a segunda em razão de suas atribuições específicas no panteão dos orixás e voduns e suas qualificações morais narradas pela mitologia, que o mostra como um orixá que contraria as regras mais gerais de conduta aceitas socialmente, conquanto não sejam conhecidos mitos de Exu que o identifiquem com o diabo (Prandi, 2001, pp. 38-83). Atribuições e caráter que os recém-chegados cristãos não podiam conceber, enxergar sem o viés etnocêntrico e muito menos aceitar. [...] Assim, os escritos de viajantes, missionários e outros observadores que estiveram em território fom ou iorubá entre os séculos XVIII e XIX, todos eles de cultura cristã, quando não cristãos de profissão, descreveram Exu sempre ressaltando aqueles aspectos que o mostravam, aos olhos ocidentais, como entidade destacadamente sexualizada e demoníaca. [...] Foi sem dúvida o processo de cristianização de Oxalá e outros orixás que empurrou Exu para o domínio do inferno católico, como um contraponto requerido pelo molde sincrético. Pois, ao se ajustar a religião dos orixás ao modelo da religião cristã, faltava evidentemente preencher o lado satânico do esquema deus-diabo, bem-mal, salvação-perdição, céu-inferno, e quem melhor que Exu para o papel do demônio? Sua fama já não era das melhores e mesmo entre os seguidores dos orixás sua natureza de herói trickster (Trindade, 1985), que não se ajusta aos modelos comuns de conduta, e seu caráter não acomodado, autônomo e embusteiro já faziam dele um ser contraventor, desviante e marginal, como o diabo.

Trechos do artigo Exu, de mensageiro a diabo. Sincretismo católico e demonização do orixá Exu, de Reginaldo Prandi. Revista USP nº50. São Paulo: USP, 2001. Disponível em <http://www.revistas.usp.br/revusp/article/view/35275/37995>.

O artigo de Reginaldo Prandi é uma obra fundamental para se compreender a marginalização de Exu e, consequentemente, de seus cultos e seus seguidores. Recomenda-se fortemente a leitura do texto integral para uma compreensão mais profunda e esclarecedora do fenômeno.